14º Seminário de Capacitação e Inovação

Rede Ipê

Neste ano, de 20 a 24 de outubro, técnicos e representantes das organizações usuárias e dos Pontos de Presença da RNP se reuniram em Natal (RN) para participar de mais uma edição do Seminário RNP de Capacitação e Inovação (SCI), que há 14 anos é realizado com a finalidade de promover a capacitação em temas inovadores de redes de computadores.

Inovação não é apenas um dos principais objetivos da programação do evento. É um valor presente na própria missão da RNP: "promover o uso inovador de redes avançadas no Brasil". O desenvolvimento da Internet no Brasil é uma conquista projetada para o futuro, pois é fruto de um processo de construção da tecnologia. A inovação não surge. Ela é concebida, elaborada, moldada, desenvolvida e amadurecida num processo social cíclico. O SCI, cuja tradição de 14 edições já faz parte da cultura de redes no país, é um dos momentos de realização e renovação da missão da RNP.

Seguindo a tradição, no período da manhã foram oferecidos cursos, e no período da tarde, workshops.


Notícias


* Dia 4 *

Segurança em foco

Durante o quarto dia da programação de palestras do SCI 2008, foi realizado um workshop sobre segurança na Internet, onde foram debatidos temas como crimes cibernéticos, bloqueio a conteúdos e conexões abertas (Wi-Fi), desafios tecnológicos e protocolos de segurança. O debate central aconteceu em torno do Projeto de Lei 89/2003, recentemente aprovado pelo Senado, que tipifica os crimes cibernéticos.

O autor da lei, o senador federal Eduardo Azeredo, que trabalhou como analista de sistemas da IBM por 11 anos, participou da plenária e defendeu a vigilância de usuários e servidores e o combate severo aos cibercrimes. Foram discutidas ainda as visões técnicas e acadêmicas sobre o projeto.

As dificuldades na aplicação de alguns dispositivos da lei e a questão da liberdade no acesso à Internet foram discutidas no painel “Discussão Técnica sobre o Projeto de Lei 89/2003”, proferida pelo analista de segurança no CAIS/RNP (Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), Guilherme Venere, que trabalha com sistemas de detecção de ataques no backbone da RNP.

O especialista falou sobre as dúvidas dos técnicos na interpretação de alguns requisitos da lei e dos desafios para a identificação do usuário de origem, o armazenamento de logs e os procedimentos para dar garantias de privacidade e atender a ordens judiciais. Na avaliação dele, o bloqueio aos perfis que distribuem conteúdos criminosos ainda é um desafio tecnológico. “Tecnicamente, não se consegue, ainda, bloquear apenas um site, um perfil ou comunidade no Orkut. O bloqueio só pode ser feito em todo o provedor que hospeda o site suspeito”, detalhou. Temas como a guarda de dados de conexões, proteção aos direitos autorais e confidencialidade, também foram debatidos pelo palestrante.

A falsa identidade de servidores na Internet também foi tratada no workshop de segurança. “Os desafios e problemas enfrentados com DNS (Domain Name System - Sistema de Nomes de Domínios) foi o tema da palestra do engenheiro especialista em redes Frederico Neves, diretor de Serviços e Tecnologia do NIC.br, entidade civil sem fins lucrativos que atua na implementação de projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

O palestrante, que lidera as iniciativas brasileiras em direção a uma Internet mais segura, falou sobre o funcionamento do DNS tradicional e das falhas do sistema, afirmando que a adoção do DNSSEC - extensão do protocolo DNS criado para aumentar a segurança das redes - pode solucionar parte dos problemas de segurança.

Frederico mostrou como funciona a infra-estrutura e o fluxo de informação no DNS tradicional, destacando a vulnerabilidade do sistema de nomes da Internet, que está sujeito a corrupção de dados, up-dates não-autorizados, poluição e subversão do cache, entre outros ataques possíveis. Para o especialista é muito simples forjar uma requisição DNS. “Praticamente todos os aplicativos em uso na Internet podem ser alvo de ataques, cujo mais comum aos pacotes DSN é o “on path”, destacou.

Na avaliação do palestrante, o sistema DNSSEC é um caminho alternativo para verificação da autenticidade dos dados. “Ele não protege o transporte, mas sim a informação que trafega assinada. Mesmo que alguém esteja “on path” e tenha acesso aos dados, conseguindo alterá-los, é fácil perceber que sofreu mudança no meio do caminho”.

Segundo Neves, os problemas de falta de segurança no protocolo DSN, podem ser solucionados com a adoção do DNSSEC, que já está sendo implementado em quase todos os domínios no Brasil.


* Dia 3 *

A tecnologia a serviço da cultura

O terceiro dia de atividades vespertinas do SCI 2008 foi coordenado pela Diretoria de Inovação (DI) sob o tema “Papel da tecnologia na educação e cultura”. A gerente Iara Machado abriu a sessão de apresentações, que contou com palestrantes convidados do Ministério da Cultura, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Educação a distância

Liane Tarouco, do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (UFRGS) discorreu sobre as iniciativas de educação a distância, que hoje encontram um obstáculo na tecnologia. Cerca de 50% dos alunos ainda têm acesso via rede discada, sofrendo desconexões freqüentes, perda de dados e um estado inconsistente do AVA (ambiente virtual de aprendizagem).

Quando se trata de recebimento de vídeos o desempenho é intermitente, as máquinas não têm capacidade e falta a instalação dos plugins necessários. “O modelo de aprendizagem em que o estudante senta e assiste a uma transmissão de conteúdo sem interação é ultrapassado”, afirma Liane. Para a eficácia do modelo de ensino a distância, a professora defende a importância da participação dos PoPs no apoio às instituições, investigando e realizando testes de limitações, identificando os firewalls e os tipos de exceções que podem ser abertas, e ainda estimulando normas de etiqueta na internet.

Valter Roesler, também da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresentou o resultado do GT-IEAD: Infra-estrutura para ensino a distância, cujo objetivo era a criação de um software capaz de disponibilizar canais educacionais simultâneos (transmissões via multicast em tempo real) para usuários da RNP ou outras redes parceiras.

O software permite que várias universidades se conectem a um ambiente de comunicação que simula um grande auditório virtual onde podem acontecer cursos, palestras, defesas de dissertação de mestrado e teses de doutorado. “A idéia era simular um estúdio de televisão com uma mesa de edição”, explica Valter.

Neste ambiente de comunicação os participantes podem visualizar e interagir com os outros participantes e palestrantes. O sistema ainda oferece facilidades como filtragem das perguntas e a capacidade de mostrar até 20 apresentadores.

Para encerrar o tema educação a distância, Rosa Leão, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) contou a experiência da parceria entre a UFRJ e a Universidade Federal Fluminense (UFF) no uso da interface FreeMeeting - ambiente para trabalho cooperativo que gerencia um conjunto de ferramentas de comunicação como Vivavoz, para transmissão de voz sobre IP; o Comitvideo, para transmissão de vídeo e o TGWB. A interface está sendo utilizada no Curso Superior a Distância de Tecnologia em Sistemas de Computação do CEDERJ, coordenado pela UFRJ e pela UFF.


Novas Tecnologias

Futurista. Foi como Iara Machado definiu o conjunto de apresentações que viriam a seguir, norteadas pelo tema Novas Tecnologias. Motivados pela mudança de cenário causada pela implementação das redes comunitárias metropolitanas, palestrantes convidados do Ministério da Cultura (MinC) e de GTs da RNP discorreram sobre as possibilidades futuras de um mundo onde a tecnologia trabalhará a serviço da cultura.

O coordenador de Tecnologia do MinC, Humberto Cardoso, iniciou sua palestra falando sobre a articulação de uma parceria com a RNP em prol da difusão de conteúdo cultural para a sociedade. Acervos de instituições como os da Biblioteca Nacional, da Cinemateca Brasileira e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPhan) tornariam-se digitais e disponíveis para as instituições usuárias. “Qualquer possibilidade de manifestação digital é do interesse do Ministério da Cultura”, resume Humberto. Ao lado de Humberto, o Gerente de Informações Estratégicas do MinC, José Murilo Costa Carvalho reforçou o papel da RNP no Plano de Ação do MinC.

Em seguida, Tiago Salmito, do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID) - prestador de serviços para a RNP – falou sobre a solução PROGRAMA, plataforma criada para o compartilhamento dos vídeos digitais produzidos por TVs públicas e universitárias. “Há 2 ou 3 anos, o cenário era desanimador: o acervo era analógico, havia dificuldade de distribuição dos vídeos, pouca produção de conteúdo próprio e pouco orçamento operacional”, conta Tiago. O acervo foi digitalizado e hoje é possível compartilhá-lo através do backbone da RNP.

Além de reduzir os custos de transmissão, a plataforma disponibiliza ferramenta de catalogação, melhor expressão de metadados, tráfego de qualquer formato digital, produção colaborativa e armazenamento do acervo digital. Os projetos da RNP que utilizam a plataforma Programa são a Rede de Intercâmbio das TVs Universitárias (Ritu), o serviço de Intercâmbio de TVs Públicas (ITVp) e a Rede de Intercâmbio de Produção Educativa (Ripe).

O terceiro dia de palestras foi encerrado com a exposição do software Museus Virtuais, resultado do trabalho desenvolvido pelo GT composto por Luiz Marcos Garcia Gonçalves, Aquiles Burlamaqui e Guido Lemos de Souza Filho. O sistema apresenta um ambiente virtual multiusuário, que permite que curadores construam seus espaços (museus virtuais) em 2D ou 3D. Além disto, ainda podem editá-los adicionando obras, definindo sua posição e tamanho, a textura dos acabamentos, entre outros.


* Dia 2 *

Soluções para PoPs são o foco dos bate-papos

Gerência pró-ativa, equipamentos, serviços das operadoras e troca de tráfego em PTTs locais foram alguns dos assuntos debatidos neste segundo dia de atividades do SCI 2008. Representantes dos PoPs participaram como palestrantes convidados e espectadores de uma tarde inteiramente dedicada à discussão sobre a realidade dos pontos de presença.

José Arivaldo Frazão Júnior, gerente do Centro de Engenharia e Operações (CEO) abriu o ciclo de apresentações ao lado do analista Alex Soares de Moura, que demonstrou resultados sobre o atendimento anual do CEO para os PoPs.

Na seqüência, Raniery Pontes, prestador de serviços para a RNP, apresentou o Infrapop, projeto de melhoria de infra-estrutura dos pontos de presença. Realizado em três etapas - coleta de informações, compras e acompanhamento, e entrega –, o Infrapop atravessa atualmente a segunda etapa. “O resultado da coleta de informações resultou num retrato do que encontramos nos PoPs. A partir de agora, temos um material fundamental de análise para a melhoria destas infra-estruturas”, diz Raniery.

O serviço experimental MonIPê foi o tema seguinte, com Ana Lúcia de Moura , da Diretoria de Inovação (DI) apresentando o resultado do trabalho de medições realizado pelo GT MonIPê. O objetivo principal da ferramenta é monitorar e disponibilizar dados sobre o estado da rede Ipê, de modo a melhorar a percepção do usuário em relação à rede, reduzir custos de diagnósticos (através da identificação antecipada de problemas de desempenho) e prover às aplicações informações sobre o estado da rede.

Voltado para o público de usuários da Rede Ipê, o serviço subdividiu o grupo em dois tipos: usuários gerais, que pretendem analisar o comportamento da rede com o intuito de identificar possíveis problemas; e usuários avançados, que necessitam realizar testes de medições com o intuito de efetuar experimentos na rede.

A segunda parte da sessão de workshops reuniu os representantes do PoP-ES, Rostan Piccoli; PoP-RN, Mário Sérgio; e PoP-PR, Pedro Torres Jr. em apresentações que defendiam o uso de equipamentos e a criação de sistemas que viabilizem a redução de custos e uma melhor gerência da rede.


* Dia 1 *
Primeiro dia do evento reúne cerca de 170 participantes

Profissionais de TI passarão os próximos cinco dias imersos em temas de redes avançadas


Uma manhã de sol forte inaugurou o primeiro dia de atividades do SCI, reunindo 170 técnicos e representantes das organizações usuárias e dos Pontos de Presença (PoPs) da RNP no Hotel Praia Mar, de frente para a praia de Ponta Negra, em Natal (RN). Os seis cursos que compõem a programação do evento tiveram início às 9h.

A cerimônia de abertura, marcada para às 14h30, teve a participação do diretor de Operações da RNP, Alexandre Leib Grojsgold, que deu as boas-vindas aos participantes e relembrou a trajetória de 14 anos do evento: “Este é um acontecimento tradicional e um dos momentos de realização da missão da RNP”. Há quatro anos, a palavra Inovação foi incorporada à sigla SCI, reforçando o compromisso da organização.


Workshops

A sessão de bate-papos e palestras foi aberta pelo coordenador da Escola Superior de Redes (ESR) Luiz Coelho, que apresentou a metodologia utilizada pela ESR para oferecer cursos práticos de curta duração na área de redes. Os 18 cursos do portfólio - agrupados em quatro temas centrais - já foram concluídos por cerca de 1000 profissionais nos últimos três anos. “Um dos nossos diferenciais é a presença em várias cidades”, afirmou Coelho. Até o início de 2009, quatro novos cursos serão lançados e a ESR abrirá mais duas unidades no país: uma em Cuiabá (MT) e outra em Macapá (AP).

Pelo segundo ano consecutivo, o Serviço de Tecnologia da Informação (STI) da RNP realizou uma palestra sobre o escopo de atuação da área. Felipe Lopes Tocchetto, Marcello de Jesus Fernandes e Jean Carlo Faustino, acompanhados pelo gerente do STI, Ricardo Tulio Gandelman, apresentaram os serviços de TIC disponíveis às instituições usuárias, as estatísticas de uso e dicas de operação. Ainda foi demonstrado um balanço das propostas do último SCI com resultados alcançados e perspectivas para a próxima edição.

Em seguida à palestra do STI, Noemi Rodriguez, da Diretoria de Inovação discorreu através de videoconferência sobre o serviço experimental Comunidade Acadêmica Federada (Café), que visa a implantação de uma federação de instituições de ensino e pesquisa brasileiras. A Café permitirá que um usuário mantenha todas as suas informações apenas na sua instituição de origem, podendo, ao mesmo tempo, acessar serviços web oferecidos pelas demais instituições que participam da federação.

O ciclo de apresentações foi finalizado com a palestra sobre virtualização, ministrada pelo consultor Jardel Costa, que defendeu o uso da prática como solução para a redução de custos, a facilidade no gerenciamento e a praticidade na criação de servidores. A RNP já virtualiza alguns servidores para sistemas de gerência do CEO, e no atendimento a alguns clientes pelo STI.

Os workshops foram transmitidos, ao vivo, pela Internet, através da página de transmissões. Perguntas foram enviadas aos palestrantes por e-mail [email protected]


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